quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Janelas Quebradas.




Em meados de 1982, o cientista político James Q. Wilson e o psicólogo criminologista George Kelling, ambos americanos, publicaram na Revista Atlantic Monthly, um esboço em que, pela prima vez, se estabelecia uma correlação do nexo-causal entre desordem e a criminalidade.

E nesse estudo, cujo título é “The Police and Neiborghood Safety” (A Polícia e a Segurança da Comunidade), os autores empregaram a imagem e semelhança de janelas quebradas como analogia, para explicar como a desordem e a criminalidade poderiam, aos poucos, infiltrar-se numa sociedade, ocasionando seu declínio e a conseqüente queda da qualidade de vida.

Kelling e Wilson, sustentavam que se uma janela de uma fábrica ou de um escritório fosse quebrada e não fosse esta imediatamente reparada, as pessoas que por ali passassem concluiriam que ninguém se importava com isso e que, naquela localidade, não havia autoridade responsável pela manutenção da ordem. E em pouco tempo, algumas pessoas começariam a atirar pedras para quebrar as demais janelas ainda intactas.

Logo, quando todas as janelas estivessem quebradas, as pessoas que por ali passassem concluiriam que ninguém seria responsável por aquele prédio e tampouco pela rua em que se localizava o prédio.
Iniciava-se, assim, a decadência da própria rua e daquela comunidade.

A esta altura, apenas os desocupados, imprudentes, ou pessoas com tendências delituosas, sentir-se-iam à vontade para ter algum negócio ou mesmo morar na rua cuja decadência já era evidente. E o passo seguinte, seria o abandono daquela localidade pelas pessoas de bem, deixando o bairro à mercê de díscolos. “Pequenas desordens levariam a grandes desordens e, mais tarde, ao crime”.

Ponderando este pequeno fragmento de estudo científico, que tem grande proporção de veemência e veracidade, chega a constar com austeridade a que ponto chegou nossa sociedade como um todo (em se tratando do estado Alagoas).

O abandono de nossas ruas pelo próprio povo como sociedade de fato e de direito, e a insigne aparente impunidade que a escuridão da noite alagoana, deixa transparecer aos meliantes de plantão, faz-nos catar, numa forçosa prisão domiciliar, o ledo engano de uma pseudo-paz e superficial segurança.

Evidente que se mudam os políticos (responsáveis pela manutenção do brio social, ou pelo menos, seriam estas as figuras mais indicadas para tanto), que, aliás, é algo que muito pouco se renova nos berçários do poder, entretanto, a mentalidade da administração pública, continua a mesma. E de fato, continuará a ser o que sempre fora, desde o Brasil colônia, tristemente -, onde o atroz princípio dos feudos retrata quão escrava ainda prossegue nossa sociedade. Sem se dar conta, da necessidade para que se sacramente tão logo, nossa carta de alforria.

Sendo assim, nunca estaremos livres do que nos assola.

Interessante, que a pouquíssimos dias, estava assistindo no You Tube, uma arguta entrevista, concedida por um grande Douto em Psicologia, Dr. Jacob Pinheiro Goldberg, onde o mesmo arrazoava algo exatamente sobre essa estranha relação entre: povo / fato / problema / político / solução. Onde observa-se, que a forma de poder Oligárquica, faz a chamada dupla vicissitude da loucura, ou seja, joga muito com o jogo da aparência, que se resume estritamente no “me engana que eu gosto”.

Tendo em premente, estranho modo de coexistência, nos leva a enxergar melhor certa cumplicidade, entre uma grande maioria, em razão do que em carne viva se apresenta hoje pelo mundo afora.

E é algo doloroso de se contar/constar, quando deixamos para discutir a corrupção, sobretudo as mazelas que desta acoimada palavra surge, tão somente, quando todas as cartas já estão postas a mesa. Não aprendemos a prevenir e a discutir quais são o misto de atitudes para coibir os possíveis danos. E até mesmo, procurar se imaginar, um passo a frente, antecipando-se perante os fatos prestes a acontecer para, que se possa pensar a quem, e além. Evitando-se desta forma, desastres sociais.   

Porque, é bem mais cômodo remediar, não?